Brasil: terra de ninguém
O rock brasileiro vive uma inércia de idéias e atitudes. Nada se cria, tudo se copia. Infelizmente as gravadoras pecam por investir no descartável, em moldar o som das rádios. Todos sabem que há muita banda boa de garagem por esse Brasil, contando os trocados, comendo sanduíche e miojo para tocar em algum lugar. Até os festivais andam escassos, escancarando o descasso com a nossa cultura. Não é preciso enumerar as dificuldades. Ainda bem que existem pessoas, rádios que queiram ser diferentes e lutam para se manter como tais. Lutar é até um termo suave para o tamanho dos obstáculos enfrentados.
Ontem à noite, assisti uma programa de entevistas na qual estava o vocalista da banda Detonautas, Tico Santa Cruz. Não sou fã do grupo, mas o que me agradou é ver alguém com algo a dizer. Desde a morte do guitarrista Rodrigo Netto, vítima da violência cotidiana no Rio de Janeiro, Santa Cruz tem literalmente posto a cara para bater. Enfrenta políticos, organizações, faz protestos, é tachado de rebelde, enfim, usa sua imagem pública para mudar algo que tanto aflige o Brasil: a segurança pública.
Ele poderia estar descansando, tomando sol em um cenário paradisíaco, ser fotografado para as revistas, mas não, está engajado em manifestações como o Clube da Insônia e outros projetos que pretende mostrar em universidades brasileiras. O músico contou que gostaria que a indignação dos torcedores que participam das brigas em estádios, da violência em shows, fosse revertida para cobrar os direitos que estão na constituição. Bem lembrado.
Contudo, parece que o brasileiro não se importa, visto as imagens dos protestos protagonizados por Tico Santa Cruz: poucos indivíduos interessados em saber o que estava acontecendo naquele momento. O que se via eram os passos apressados, a soberba de alguns, o egoísmo fruto dos tempos modernos. Fica aqui a menção para que o nosso povo desperte, e dê uma pequena olhada ao seu lado, no mundo fora do seu universo interior.
Postar um comentário
